A reunião foi aberta com a apresentação dos participantes, posteriormente o Sr. Rodrigo CGPIMA/FUNAI fez um breve relato do processo de licenciamento ambiental e sobre a necessidade de complementação dos estudos da Componente Indígena. Foi esclarecido que a equipe técnica do IVIG/COPPETEC/UFRJ foi contratada pelo DNIT para realização dos estudos. As lideranças indígenas de Kariri-Xocó, principalmente o Sr. Cícero de Sousa Santiago, ressaltaram que as promessas feitas em relação ao processo de licenciamento de uma ferrovia não estão sendo realizadas. O Sr Francisco Sampaio falou da necessidade de melhorias nas estradas internas nas terras indígenas. O Sr José Bonifácio manifestou insatisfação em relação a burocracia dentro do governo federal e salientou que a comunidade não conhece a burocracia, pois a liderança fica sem saber o que responder para a comunidade, até o momento os acordos não são cumpridos. Ele falou que historicamente a construção da BR-101 trouxe mortes de índios e de animais e sem nenhum benefício a comunidade e que as promessas precisam ser cumpridas.
O Sr. Antônio Isidoro também falou sobre a falta de confiança que é gerada frente a comunidade, em relação a promessas não cumpridas. Disse também sobre a preocupação de como as crianças e os velhos usam a estrada e pelo fato de não saber o que virá com a duplicação da rodovia. O Sr. Francisco Neto disse que cada profissional, dentro da sua especialidade, deverá apontar quais são as necessidades da comunidade indígena em relação aos impactos da duplicação. Ele disse que antes de dar qualquer posicionamento, sugere que se a rodovia for ampliada, as terras deverão ser também, pois o maior benéfico para comunidade é a ampliação das suas terras indígenas, segundo ele, este é o momento para negociar. O Sr. Rodrigo salientou que não estamos negociando. Ele explicou o processo de licenciamento nas comunidades indígenas e o histórico do processo sobre o estudo da OIKOS/ATP, realizado em 2006. Este estudo foi feito baseado em dados secundários e novos estudos foram solicitados com registros de entrevistas e trabalho de campo. Disse que a FUNAI emitiu em 2009 um roteiro para esses estudos e que alguns técnicos da Funai de Maceió serão designados para acompanhar o trabalho de campo, e que as lideranças deverão indicar os seus representantes para esse acompanhamento. Rodrigo explicou que após o trabalho de campo, os resultados serão apresentados em um relatório parcial, que deverá ser apresentado para as comunidades. O Sr. Cicero reiterou que a maior preocupação da comunidade é a terra indígena que foi demarcada e ainda falta a homologação, ele disse que o índio sem terra não pode ter saúde e nem educação, segundo ele, somente a mãe-terra que pode dar a comunidade o que ela precisa.
Nenhuma das lideranças aponta a duplicação da BR-101 e da ferrovia como motivadores de novos processos educativos, mesmo que implicitamente isso fique subentendidos.
Rodrigo fez a exposição sobre a solicitação do DNIT para redução da quilometragem de 10 km para 3 km das terras indígenas para licença de instalação e pediu que as lideranças se manifestassem. As comunidade indígenas permitiram a redução para os 3 km, sendo que seja obedecido os limites estabelecidos nas portarias ministeriais e decretos de demarcação das terras de Kariri-Xocó e Karapotó.
A equipe técnica explicou o objetivo do plano de trabalho nas terras indígenas e salientou a importância de resgatar o que significou a construção da BR-101 em 1971 e o que significa até o presente momento em relação aos impactos positivos e negativos.
As duas comunidades indígenas foram favoráveis ao início dos trabalhos de campo, autorizando a entrada dos membros da equipe técnica nas terras de Kariri-Xocó e Karapotó.
Obs. No início da reunião, foi solicitada a permissão das lideranças indígenas de Kariri-Xocó e Karapotó para o registro áudio-visual e fotográfico da reunião. A permissão foi concedida.
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